'Ser marginal (não) foi (só) uma decisão poética'

quarta-feira, junho 05, 2013


res.pira res.pira res.pira e a alma vaza no ex.pirar da lucidez obrigatória    contorce e grita    grito seta    acerta o alvo e planta a semente que atiça o despertar     minha lucidez derretida é caldo amargo para os poderosos que se agitam em me conter caminhos enquanto a minha liberdade pulsa sem ritmo e governo pelas veias do universo e vaza em hemorragia sendo caldo amargo outra vez     a redenção     Giro na dança circular dos devaneios que se libertaram    meu corpo vibra lateja gargalha encharca goza pássaros   terra corpo sem porteira espaço insulto por ser solto   não volta continua contorna não para pousa  sonha  conti.nua    

terça-feira, junho 04, 2013



...voa sem-hora de profunda vivência e vo-ação, anuncia a minha loucura pela expansão do sim, digo sim! Sim e assumo minha continuidade, minha nudez solta às ilimitudes translúcidas da minha extensão. Meu corpo tem cor de estrada. Estrada-céu estrada-mar estrada-terra. Estrada. De uivo vivo no peito. Estrada corrente. Explode e segue. Explode e sangra pra fazer chover sagrado. Nasço aos infinitos pelo meu próprio parto. Minha força sempre me alcança...

terça-feira, abril 30, 2013

Permaneço no cio, aproveito minha fertilidade para cruzar com espíritos e palavras, como cruzam e dançam nas encruzilhadas as damas perigosas, que cantam e se tocam em cima das cabeças de quem ri sem motivo e sem dizer nada. Tenho vontade de destruir a fala, exaltar gemidos, tempestear água parada. Faço parte das desesperadas, a procura das rosas perfeitas que me arranhem a pele e a alma. Assim posso dizer que vivo, e vivo porque viver é desesperador e lindo, e arde. Enlouquecedor como todos os dias que chegam e me acordam aos gritos subindo em cima de mim, sacudindo meus ombros, e sussurrando "é preciso abrir os olhos". E mesmo na obrigação de ser sóbria me enrolo em cobras de fogo para que a lucidez não alcance meus pés. Ando pelas partes como quem não sabe disfarçar, as pétalas escapam dos meus bolsos, e meu riso desprendido entrega-me aos que ganham a vida podando loucos. Viro a próxima esquerda e escapo aos ventos.

quarta-feira, abril 17, 2013


Do meu lado de dentro observo a fome que amortece no momento em que minha garganta exclamática se entrega ao mar de pólen. Eu abelha rainha, formiga de fogo e tudo mais de asas ou ferrão, que vive até feder, que assume seu odor, sua terra e seu lugar no céu: Urubus mal-ditos bem-ditos pela minha boca sem pudor me concedam o prazer e a honra desta dança acima das cabeças colonizadas. O fogo me prossegue há ecos luz. Minha carne nunca foi jaula!

segunda-feira, abril 08, 2013


um absurdo, um monstro no peito de grito solto para o abismo-mundo-insano. meu peito trovoa. fujam pelas claraboias da casa do tempo, tudo cabe na extensão sem concreto do templo, desde as profundezas dos meus ovários. Deusa Yoni, sementeira de pêlos, vós que viveis majestosa entre as minhas pernas leia minha sorte: vermelho-gengiva vermelho-fogo vermelho-sangue vermelho-tinto vermelho-tambor.

segunda-feira, março 25, 2013

uma alma de emergente luxúria:
 como um grito rasgante na vastidão:
- minhas solas perderam o chão num vermelhar intenso de um voo agudo:
um insulto a ordem: 
asas orgânicas.

sexta-feira, março 08, 2013



A poesia na carne se mostra como fio da navalha, contorna as curvas, sangra, grita, cheira a leite de peito. Abstrata, concreta, palavra nenhuma. Mas as línguas, essas sim leem sem precisar de letras, e exploram corpo adentro. Afiadas. Banhadas, sem respeito, em molho marinho. Elas é que sabem o gosto que a poesia tem. Afogam-se enquanto a alma leiteira se esperneia entre elas leitoras. Alma espalmada no mundo feito continente de pele, carne, luta e movimento. Dançando encarnada sob o arrepio das línguas que não se poupam, e não se acomodam no céu infernal das suas próprias bocas. À margem do centro enfermo da compreensão. No chão.